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Turismo de base comunitária e pé no chão é o destaque do Sebrae na WTM 2026

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Turismo de base comunitária e pé no chão é o destaque do Sebrae na WTM 2026

Profissionais de turismo de todo o continente participam da WTM Latin America 2026, maior feira do setor na América Latina, que começou nessa terça (14) e segue até quinta-feira (16), no Expo Center Norte, em São Paulo. No estande do Sebrae, 51 pequenos negócios apresentam roteiros que revelam um Brasil feito de paisagens, saberes, sabores e encontros. Do Pantanal à Amazônia, passando pelo Maranhão, Minas Gerais e o interior de São Paulo, desenham-se ali formas de experimentar o país com tempo e envolvimento.

Do Pantanal sul-mato-grossense, Luiz Ricardo Rocha, da LR Travel Experience, leva à feira as paisagens únicas da Serra do Amolar, uma região ainda pouco visitada no país. Com apoio do Sebrae, o roteiro aposta na contemplação da biodiversidade e no contato com comunidades locais.

A pessoa sai de lá com a certeza de que, no seu tempo de lazer, ajudou a cuidar daquela natureza. É uma viagem que reverbera em conservação e nas comunidades.

Luiz Ricardo Rocha, empreendedor da LR Travel Experience

Entre onças, tuiuiús, ariranhas e o céu sem interferência urbana, a experiência inclui visitas à escola ribeirinha e às artesãs do Pantanal, que trabalham o aguapé (planta aquática também conhecida como mururé) em cestarias e tecidos. À mesa, sabores como peixe com banana, mandioca e sopa paraguaia ajudam a traduzir o território.

É ainda no Centro-Oeste que tradição e identidade ganham forma em outro tipo de experiência. Em Mato Grosso, Alcides Ribeiro apresenta a viola de cocho como patrimônio vivo. À frente do Museu da Viola de Cocho, na comunidade de Varginha, em Santo Antônio do Leverger, ele resume em uma frase a relação de décadas com a instituição: “Eu sou cria do Sebrae”. Segundo Alcides, foi esse acompanhamento que ajudou a transformar tradição em negócio, dar continuidade ao ofício de quatro gerações e abrir caminhos para que jovens e crianças voltassem a se interessar pelo instrumento.

No roteiro, o visitante conhece os ritmos e as danças que atravessam a história do lugar, como o siriri e o cururu, vividos em festas e celebrações locais, além de acompanhar o modo de fazer da viola de cinco cordas. A imersão passa também pela cozinha pantaneira: o “quebra-torto”, como é chamado o café da manhã dos trabalhadores do campo, a paçoca de pilão levada para o dia de trabalho e receitas como o bolo de cacau feito com melado, que preservam os sabores e o modo de vida do povo do “interior do interior”, como diz Alcides.

Jéssica Medeiros, da Companhia do Cerrado e da Pousada do Lages | Foto: Túlio Vidal
Natureza imponente e cozinha rica

Do Centro-Oeste, o percurso segue para o Nordeste, onde natureza e cultura se entrelaçam em experiências que também passam pelo cotidiano das pessoas. Do sul do Maranhão, Jéssica Medeiros, da Companhia do Cerrado e da Pousada do Lages, apresenta a Chapada das Mesas em um roteiro de seis dias e cinco noites. Cachoeiras de águas claras, trilhas acessíveis e uma natureza imponente compõem a experiência.

“O Sebrae está sempre presente, apoiando, ajudando com cursos e logística. É um parceiro realmente muito importante”, reforça. No percurso, o visitante passa por atrativos como o Santuário de Pedra Caída e encontra no caminho a cozinha rica em carne de sol e tapioca feita na hora, com mandioca cultivada ali mesmo por moradores da região.

Também no Maranhão, Rutti Cutrim, da Mova Experiências, aposta em um turismo de base comunitária que passa por terreiros, comunidades pesqueiras, casas de farinha e quilombos. O roteiro percorre São Luís, Lençóis Maranhenses e Alcântara, combinando experiências que vão da produção artesanal da farinha ao tambor de crioula, do reggae dançado “agarradinho” à culinária feita com peixe fresco e ingredientes das hortas locais.

Segundo Rutti, o destaque para o viajante é o contato direto com as pessoas. “O que mais encanta é conhecer o modo como essas comunidades vivem, muito diferente dos grandes centros, ouvir essas histórias em primeira pessoa e entender outras formas de estar no mundo”, afirma. Para ela, o Sebrae tem ampliado a visibilidade desse turismo, que valoriza modos de vida e saberes tradicionais.

Vanessa Silva e Silva, da Wildlife Amazonas | Foto Túlio Vidal
Amazônia: a imersão na floresta

A mesma lógica se repete quando o destino é a Amazônia, mas com outra densidade. Vanessa Silva e Silva, da Wildlife Amazonas, apresenta na WTM uma imersão na floresta a partir de Manaus, com hospedagem em hotéis de selva e experiências que atravessam natureza e conhecimento tradicional. O percurso até o destino já faz parte da vivência, com trechos de carro e barco que conduzem o visitante ao interior da floresta.

A operação já tem forte presença internacional, com predominância de turistas alemães, um mercado no qual o roteiro vem se consolidando nos últimos anos. “O Sebrae sempre esteve presente com a gente, dando suporte, auxiliando e promovendo conexões”, comenta. Entre caminhadas, observação de fauna e visitas a comunidades ribeirinhas, o turista também experimenta sabores como tambaqui e pirarucu, além de aprender sobre plantas medicinais e conhecimentos transmitidos entre gerações.

Foto: Túlio Vidal
Revisitar territórios sob novo olhar

De volta ao Sudeste, o turismo apresentado pelo Sebrae também convida a revisitar territórios conhecidos sob novos olhares. Em Belo Horizonte, Rogério Rêgo, da Serrão Tur, mostra que a favela também é espaço de cultura e gastronomia. Com o roteiro Raízes da Resiliência, ele leva visitantes ao Aglomerado da Serra para conhecer a maior favela de Minas Gerias a partir de quem vive ali.

Quando o Sebrae entrou, eu comecei a formatar produtos, criar roteiro, profissionalizar.

Rogério Rêgo, empreendedor da Serrão Tur

O passeio inclui mirantes, arte urbana, rádio comunitária e experiências gastronômicas em bares locais, com pratos como o feijão tropeiro e sanduíches bem incrementados. Saindo de Minas e rumando para o interior de São Paulo, Bianca Mendes apresenta o roteiro Cerâmica da Mata Atlântica, no Vale do Ribeira, onde natureza e tradição caminham juntas. Em dois dias e meio, o visitante percorre ateliês, acompanha o processo da argila ao forno a lenha e experimenta técnicas ligadas à herança indígena.

A experiência é atravessada também pela gastronomia local, com produtos da região como o pastel de farinha de milho, queijos artesanais e café de produção própria. “O Sebrae ajudou a elaborar esse produto e estar aqui na WTM faz com que a rede da cerâmica seja muito valorizada”, argumenta.

Ao reunir essas experiências em um mesmo espaço, o Sebrae também sinaliza um movimento mais amplo. Para Germana Magalhães, analista de Competitividade do Sebrae Nacional, o momento agora é de qualificação e acesso a mercado. “O Sebrae já apoiou a construção de mais de mil roteiros e produtos. Agora, o foco é identificar aqueles com maior potencial e preparar esses negócios para comercialização, inclusive internacional”, analisa.

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