Pedido do Ministério Público se baseia em depoimento do atual reitor e aponta possível adulteração de dados para mascarar contratos irregulares firmados na gestão anterior da Uerr.
O Ministério Público de Roraima (MPRR) solicitou à Justiça, nesta quarta-feira (11), a prisão preventiva do ex-reitor da Universidade Estadual de Roraima (Uerr), Regys Freitas. O pedido foi formulado a partir de depoimento do atual reitor da instituição, Cláudio Travassos, que apontou uma suposta tentativa de ocultação de superfaturamento em contratos firmados durante a gestão anterior.
De acordo com os promotores do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), há indícios de que dados referentes a contratos investigados estariam sendo adulterados no Fiplan (Sistema Integrado de Planejamento, Contabilidade e Finanças). As alterações, segundo o Ministério Público, teriam como objetivo mascarar valores superfaturados e dificultar a produção de provas no processo em andamento.
O órgão ministerial destacou que a prática configuraria crime de ocultação de provas, diretamente relacionado às investigações já em curso. Conforme o Gaeco, a situação teria começado em dezembro de 2025 e envolveria possível atuação de servidores da própria universidade.
Regys Freitas deixou o cargo de reitor da Uerr em janeiro de 2024 e atualmente ocupa a função de assessor especial do Ministério Público de Contas de Roraima (MPC-RR). O pedido de prisão preventiva tramita sob sigilo, mas foi mencionado em um documento público anexado à denúncia oferecida pelo MPRR.
Além de Freitas, os empresários Bruno Rheno Pinheiro e Silva e Shyrley Ibiapino Cirqueira também foram denunciados pelos crimes de peculato, dispensa ilegal de licitação e associação criminosa. Segundo o Ministério Público, o grupo teria participado de um esquema que resultou no desvio de aproximadamente R$ 15,1 milhões de contratos da universidade.
Em razão das suspeitas, o MP também solicitou o bloqueio cautelar de quase R$ 128 milhões dos investigados. A Justiça ainda irá analisar tanto o pedido de prisão quanto as medidas patrimoniais requeridas.
O Ministério Público requisitou ainda que a Polícia Civil de Roraima (PCRR) solicite oficialmente os registros de acesso e alterações realizadas no Fiplan ao longo do último ano. As investigações seguem para identificar a responsabilidade individual de servidores e ex-servidores da Uerr envolvidos no suposto esquema, que teria ocorrido entre 2016 e 2022.
Fonte: Folha de Boa Vista

